Cientista política: 'Dilma ainda não conseguiu governar'
21/03/2016 14:24 em POLÍTICA

Foto: Sandro Lima

Luciana Santana acredita que Lula proporcionará uma maior interação do governo com a base aliada

Luciana Santana acredita que Lula proporcionará uma maior interação do governo com a base aliada

Esta semana foi de grande movimentação na política nacional: delações, grampos,  comissão de impeachment instaurada, nomeação do ex-presidente Lula para a Casa Civil... Os novos acontecimentos aumentaram ainda mais a crise política do país. Mas será que a presença de Lula vai ajudar a apagar o incêndio entre o Governo e o Congresso, e Dilma finalmente vai poder governar? A cientista política e professora universitária Luciana Santana acredita que sim. No cenário local, foi o troca-troca de partido  que deu o tom da política em Alagoas. Veja na reportagem abaixo:

Tribuna Independente - O cenário político está pegando fogo! A cada dia que passa, surgem mais escândalos envolvendo grandes nomes da Política sobretudo, ligados ao PT. Em sua opinião, esse será mais um ano de governo paralisado por conta da crise política?

Luciana Santana - Por hora sim, Dilma ainda não conseguiu governar neste segundo mandato. O que mais o governo tem feito é apagar incêndio diariamente. Infelizmente, a perspectiva não é nada favorável. Estamos atravessando um momento político bastante delicado por conta da crise política e econômica no país. E a partir de agora, o governo também que ter tempo para se defender no processo de impeachment instalado na Câmara dos Deputados.

Tribuna - A presidenta Dilma Rousseff não tem conseguido governar com o atual Congresso. A ida do ex-presidente Lula para a Casa Civil deve fortalecer a relação entre Executivo e Legislativo?

Luciana Santana - Diferentemente de Dilma, Lula é um “animal” político, fez toda sua carreira na política e isso faz com que ele tenha mais habilidade política para negociar. Gostem ou não de Lula, isso é uma verdade. Se a conjuntura se tornar favorável, se a justiça considerar que ele pode atuar como ministro, há alguma chance de que haja melhor interação entre governo e base aliada no legislativo. Não faço coro ao time do “quanto pior, melhor”. Se isso ocorrer, espero que ele contribua com o governo e seja um articulador importante para garantir governabilidade política brasileira.

Tribuna - Depois que o nome de Lula, tido como um exemplo de político honesto, começou a aparecer com mais frequência em denúncias de casos de corrupção, a situação do Governo Federal e principalmente do PT ficou ainda pior? Quais as principais consequências disso?

Luciana Santana - É difícil dizer se piorou porque a situação do governo tem sido difícil há muitos meses. No entanto, o que se percebe é um comportamento distinto de parcela da população e dos parlamentares, em geral. Enquanto as manifestações contra o governo cresceram, instaurou-se certo silêncio na classe política.  Os holofotes estão menos posicionados para a oposição ao governo no Legislativo, se restringindo mais ao processo do impeachment. Os indícios de envolvimento de Lula em denúncias da Operação Lava Jato devem ser investigados, seja em Curitiba ou no Supremo e, caso seja comprovado seu envolvimento, que seja punido. Esse é o meu posicionamento. Isso vale para qualquer cidadão brasileiro, com ou sem foro privilegiado.  O que não podemos é condenar qualquer indivíduo, político ou não, antes que a sentença seja dada.

Tribuna - Sem credibilidade, o PT tem perdido importantes nomes de seu quadro em Alagoas. É o fim do partido ou ainda dá para a legenda se recuperar?

Luciana Santana - Por ser um momento de crise, é natural que muitos filiados estejam descontentes e queiram mudanças e, se elas demoram a ocorrer, sair do partido é uma alternativa legítima. Como defensora da democracia e das instituições políticas brasileiras, acho que o PT, bem como a maioria dos partidos políticos, tem um papel importante para a história brasileira e isso não pode ser descartado da noite para o dia. É importante que o partido faça uma autocrítica, se reinvente e se mantenha na competição política nacional e regional.

Tribuna - Quais são os prejuízos para o PT com a perda de representatividade na ALE e na Câmara Municipal de Maceió?

Luciana Santana - O PT nunca foi um partido com muita representatividade política em Alagoas, por isso, toda perda deve ser considerada e discutida com a sua base partidária. Ao contrário do que muitos desejam essa perda não é motivo de comemoração, pois há segmentos da população que se sentem contemplados pelas bandeiras partidárias da sigla. E nesse caso, a divergência e a pluralidade política precisam ser respeitadas.

Tribuna - O PMDB foi o partido que mais ganhou representatividade com a janela partidária. A legenda começou a legislatura com  três deputados e até agora, aumentou 11. Qual é a sua avaliação?

Luciana Santana - Os ganhos do PMDB alagoano não se reproduzem nacionalmente. Temos cada vez mais um quadro de fragmentação partidária. É uma realidade regional e que faz parte da dinâmica política quando um partido conquista o governo.  Quando um governo é eleito muitos partidos preferem estar junto dele ao invés da oposição, principalmente se o governo apresenta resultados positivos no início de sua gestão e tem uma boa comunicação institucional. Esse é o caso de Alagoas. O PMDB sempre foi forte no estado de Alagoas, principalmente no âmbito municipal. O diferencial agora, com um governo estadual do PMDB, é que o partido passou a se fortalecer na capital. A filiação de Cícero Almeida ao partido e a divulgação de sua pré-candidatura à prefeitura de Maceió é um exemplo disso.

Tribuna - O PT pode ficar isolado nas eleições municipais deste ano?

Luciana Santana - Acredito que não. As eleições municipais têm uma dinâmica própria, bem diferente da política na esfera nacional.  Com exceção das capitais e de municípios de porte grande, as alianças são muito mais personalizadas e centradas em políticos de destaque no âmbito local, o que importa menos é a filiação partidária.  O PT perderá espaço, mas continuará elegendo vereadores e prefeitos no Brasil, com ou sem coligações.

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