Vereador diz que título em homenagem a Aécio Neves foi antes da Lava Jato
21/03/2016 14:37 em POLÍTICA

Foto: Assessoria / Câmara de Maceió

Dudu Ronalsa diz que senador tem dado apoio importante a Rui

Dudu Ronalsa diz que senador tem dado apoio importante a Rui

Citado seis vezes por delatores da Operação Lava Jato, esta semana, o senador da República Aécio Neves (PSDB), teve o título de cidadão honorário de Maceió aprovado pela Câmara de Vereadores e publicado no Diário Oficial do Município. A proposta é do vereador Dudu Ronalsa (PSDB). Ele informou que a homenagem foi antes das denúncias contra o colega tucano.

“Mas veja bem, eu fiz a proposta em outubro do ano passado, antes do Aécio ser citado na Operação Lava Jato. E também não tem nada a ver com toda essa situação envolvendo a presidente Dilma Rousseff [PT] e o ex-presidente Lula”, salientou o vereador em entrevista ao Jornal Tribuna Independente.

Porém, em uma breve pesquisa na internet, é possível encontrar reportagens informando que o senador foi citado pelo doleiro Alberto Youssef em depoimento na Lava Jato, em março de 2015.

Outro delator, o diretor da empreiteira UTC, Carlos Alexandre Souza Rocha, conhecido como “Ceará”, citou Aécio Neves na Lava Jato em agosto de 2015. Foi ele, inclusive, que afirmou que o senador era “mais chato” na cobrança de propina.

O vereador por Maceió, Dudu Ronalsa, defende a honraria afirmando que Aécio Neves tem sido importante no apoio ao prefeito Rui Palmeira em Brasília.

“Apesar de termos nossa bancada de senadores, Aécio tem sido importante na aprovação de empréstimos em Brasília. Além disso, ele pode ser o nosso futuro presidente da República, por que não?”, ressaltou.

Sobre a vinda do senador tucano para receber o título em Maceió, o vereador disse que só pretende convidá-lo no final do ano. A sessão solene para a entrega da honraria ainda não tem data marcada. O anúncio da homenagem acontece em meio a uma forte crise política.

“Não é papel da Câmara julgar”, diz presidente

O presidente da Câmara de Vereadores de Maceió, Kelmann Vieira (PSDB), explicou que o plenário não costuma derrubar as proposições dos parlamentares em votação.

“A proposição do Dudu Ronalsa foi feita em outubro do ano passado e, como estávamos perto do recesso, colocamos as pendências para serem votadas. Não podíamos deixar de analisar e o plenário aprovou por unanimidade a homenagem ao senador Aécio Neves”, afirmou o tucano.

Questionado sobre a citação do senador mineiro na Operação Lava Jato, Kelmann afirmou que não é papel da Câmara de Vereadores julgar.

“O Aécio não foi condenado e mesmo assim, não podemos prever as irregularidades de um senador quando propomos uma honraria. Não se deve condenar o vereador numa ação dessas. Ronalsa teve muito boa intensão”, defende o presidente do legislativo municipal.

Em relação à homenagem feita pela Câmara de Vereadores de Maceió aos dirigentes da Alma Viva, empresa de telemarketing denunciada quase 300 vezes ao Ministério Público do Trabalho somente em Alagoas, o presidente da Casa voltou a defender a atitude afirmando que não cabe aos vereadores o julgamento das irregularidades cometidas por seus homenageados.

“Nós na Câmara não temos como prever se a empresa está cumprindo com todas as leis trabalhistas, mas é irrefutável a geração de empregos que foi proporcionada pela Alma Viva em Maceió. Nunca na história foram gerados tantos postos de trabalho”, afirma.

“A empresa contribuiu para o desenvolvimento da cidade, criando oito mil empregos. Fomos a cidade no país que mais gerou emprego, e não tem como não entender esse fator como uma contribuição para o crescimento de Maceió”, continuou.

O presidente da Câmara esclareceu ainda que o título de cidadão honorário não é um salvo-conduto.

“Não estamos dando um salvo-conduto para essas pessoas. Se alguém recebe um título de cidadão honorário de Maceió e no outro dia comete um assassinato, a culpa não é da Câmara de Vereadores”, enfatizou o vereador.

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