Revista britânica defende renúncia de Dilma Rousseff
23/03/2016 12:27 em POLÍTICA

Foto: José Cruz / Agência Brasil

Revista britânica diz que, para uma vitória completa do Brasil, saída de Dilma Rousseff do Planalto é só o primeiro passo

Revista britânica diz que, para uma vitória completa do Brasil, saída de Dilma Rousseff do Planalto é só o primeiro passo

A revista britânica The Economist desta semana traz uma reportagem sobre a situação político-econômica do Brasil, em que condena o impeachment, mas defende a renúncia da presidente Dilma Rousseff. Para a The Economist, “é hora de Dilma partir” porque está com a imagem “manchada”.

A publicação descarta a possibilidade do impeachment: “Nós continuamos a acreditar que, na ausência de prova de crime, o impeachment de Dilma Rousseff é injustificável”.

— O processo contra ela no Congresso é baseado em alegações sem provas de que ela usou de manobras [pedaladas fiscais] para esconder o tamanho real do déficit orçamentário em 2015. Isso parece só um pretexto para retirar um presidente impopular.

No entanto, aponta três caminhos para Dilma deixar o Palácio do Planalto. O primeiro é baseado na delação premiada do senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS) e faz referência a uma suposta obstrução da Justiça no caso dos desvios da Petrobras, no âmbito da Lava Jato. No entanto, diz a revista, “ainda não há provas e Dilma nega as acusações”.

A segunda possibilidade, diz a The Economist, seria a decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de convocar novas eleições caso a chapa Dilma-Temer seja considerada culpada pelo financiamento irregular da campanha de 2015, cuja fonte teria sido os repasses de recursos fruto de corrupção da Petrobras. Porém, a investigação “será prolongada”.

Para a revista, “o melhor e mais rápido caminho para a saída de Dilma do Planalto seria a renúncia antes que ela seja empurrada para fora”.

— A partida de Dilma daria ao Brasil uma chance de um novo começo. Mas a renúncia de Dilma não seria a solução de todos os problemas.

A revista destaca que o vice-presidente Michel Temer assumiria o posto deixado por Dilma. Temer poderia, segundo a The Economist, “liderar um governo de coalizão, incluindo partidos de oposição, que, em teoria, embarcaria nas reformas fiscais necessárias para estabilizar a economia”.

— Porém, infelizmente, o partido de Temer está profundamente imerso no escândalo da Petrobras assim como o PT.

A revista encerra o texto dizendo que para “o Brasil sair dessa bagunça”, é necessária uma mudança por atacado: “controle dos gastos públicos, incluindo as pensões; reformar as leis fiscais e trabalhistas que esmagam o crescimento; e reformar um sistema político que estimula a corrupção e enfraquece os partidos políticos”.

— Para aqueles que vão para as ruas gritar “Fora Dilma”, seria uma vitória a saída dela. Porém, para uma vitória completa do Brasil isso é só o primeiro passo.

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