Dados mostram que 29% dos partos em AL são de mães adolescentes
25/04/2016 12:13 em Ciência e Saúde

Foto: Sandro Lima

Alice engravidou pela primeira vez aos 18 anos e, apesar de ter sido cedo, diz que gestação foi planejada

Alice engravidou pela primeira vez aos 18 anos e, apesar de ter sido cedo, diz que gestação foi planejada

“Hoje em dia ninguém engravida por falta de informação, é porque quer mesmo”. A afirmação enfática é da jovem de 18 anos que está no oitavo mês de gestação Lavínia de Araújo, que mora no bairro da Levada, na capital. Em Alagoas, 29,10% dos partos, em 2014, foram de meninas entre 10 e 19 anos de idade, razão pelo qual, o Estado está em terceiro lugar no ranking. Os dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DataSus) divulgados pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

Segundo os dados divulgados pela Febrasgo, foram registradas 12.711 gestações no estado, que ficou atrás apenas do Pará e da Amazonas, com 31.164 e 14.381 gestações, respectivamente.

A Federação ressaltou que o Brasil registra mais de 235 mil gestações não planejadas de mulheres jovens por ano. O custo dessa realidade para o país é de mais de R$ 540 milhões anuais, uma média de R$ 2.293,00 por gestação. Do total de partos realizados no Sistema Único de Saúde (SUS), 20% ocorre em meninas com idades entre 10 e 19 anos, sendo que os estados das regiões Norte e Nordeste apresentam um índice superior à média nacional – a taxa é de quase 30% no Pará, por exemplo. Já as regiões Sul e Sudeste apresentam um percentual de partos na adolescência mais próximo à média brasileira. O único estado que destoa do restante do país é Santa Catarina, que registra apenas 5% dos partos em mulheres nessa faixa etária.

Lavínia de Araújo está casada há pouco mais de um ano e diz que embora tenha muitos casos de mães jovens que não se planejam, o dela não foi por acaso. “Nunca tomei anticoncepcional porque tinha medo da medicação prejudicar minha saúde quando quisesse engravidar, sempre quis ser mãe e encontrei a pessoa certa que me deu segurança na realização deste sonho”, contou.

Ela se lembrou de colegas e até parentes que engravidaram ainda quando namoravam, “não planejaram, mas também não se preveniram, ou seja, queriam, deixaram acontecer, não foi por falta de informação ou camisinha ou remédio”, ressaltou.

Alice Stefany da mesma forma que Lavínia também planejou, embora fosse com 18 anos ainda. “Casei e logo engravidei e já estou grávida novamente, mas pretendo encerrar com dois mesmo”. Ela comungou do comentário de Lavínia: “Ninguém fica grávida sem querer nos dias de hoje. Embucham porque quer mesmo cedo. Tem meninas que mal menstruaram, e basta arrumar um namorado para já se entregar e acabar engravidando. A gente acha que isso só acontece na periferia, mas não é não. Vejo também entre as adolescentes e jovens ricas”, observou.

Ginecologista explica impactos causados

Marta Finotti, ginecologista, presidente da Comissão Nacional Especializada em Anticoncepção da Febrasgo, explica os impactos da gravidez não planejada. Segundo ela, cerca de 30% das adolescentes engravidam novamente no primeiro ano pós-parto, e entre 25% e 50%, no segundo ano pós-parto, tornando ainda mais difícil a reintegração da mãe à escola e ao mercado de trabalho.

Entre as adolescentes que têm filhos, 75,7% não estudam e 57,8% não estudam nem trabalham. Uma pesquisa do Banco Mundial mostra que cada ano adicional de ensino secundário de uma adolescente aumenta sua renda potencial futura entre 15% e 25%.

Na Saúde, a incidência de mortalidade infantil é, em média, quatro vezes maior, quando comparada à de mães com idade acima de 20 anos. Tal fato se deve principalmente ao aumento da prematuridade e do baixo peso ao nascer. Estas intercorrências podem predispor o recém-nascido a infecções, hipoglicemia, hipóxia e atraso no desenvolvimento psicomotor.

Adolescentes têm maior risco de complicações durante a gestação e mortalidade, sendo o parto a principal causa de morte de mulheres jovens entre 15 e 19 anos em países em desenvolvimento. Outros problemas comuns, enfrentados pelas gestantes adolescentes, são a depressão e a ansiedade, que tendem a ser mais frequentes quando comparados com grávidas adultas. E filhos de mães adolescentes correm maior risco de abandono, menor adaptação escolar e distúrbios de comportamento. 

As pesquisas indicaram ainda que, em 2014, uma gestação não planejada custava ao governo cerca de R$ 2.293,00 e gastamos mais de R$ 4 bilhões com gestações não planejadas no Brasil. O país deixa de acrescentar US$ 3,5 bilhões à sua economia (PIB) por ano devido à gravidez de adolescentes. E teria maior produtividade caso meninas adolescentes retardassem sua gravidez até os 20 e poucos anos.  Cada dólar gasto em planejamento familiar pode economizar até 6 dólares dos governos, possibilitando que estes invistam mais em atenção básica e outros serviços de saúde.

Febrasgo pede ampliação de métodos contraceptivos

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) no Sistema Único de Saúde (SUS) começou a discutir o projeto submetido recentemente pela Febrasgo que pede a ampliação do acesso na rede pública de saúde a métodos contraceptivos reversíveis de longa duração para adolescentes de 15 a 19 anos de idade.

De acordo com o projeto, serão avaliados os benefícios médicos, sociais e econômicos de uma eventual inclusão para essa população. O pleito da instituição que representa os médicos ginecologistas e obstetras no Brasil tem como principal objetivo garantir o direito de as mulheres escolherem o melhor momento para ter filhos, garantido pela constituição federal (Lei 9.263/96).

“O acesso a métodos contraceptivos reversíveis de longa duração contribui com a redução da mortalidade materna e infantil, diminui as taxas de gestações não programadas e abortos inseguros e contribui com o aumento das oportunidades para essas jovens, resultando em famílias e comunidades mais saudáveis e prósperas”, disse Marta Finotti, ginecologista, presidente da Comissão Nacional Especializada em Anticoncepção da Febrasgo e autora do dossiê que pede a inclusão dos métodos LARCs no SUS.

Vale reforçar que o Brasil registra mais de 235 mil gestações não planejadas de mulheres jovens por ano. O custo dessa realidade para o país é de mais de R$ 540 milhões anuais, uma média de R$ 2.293,00 por gestação. Do total de partos realizados no Sistema Único de Saúde (SUS), 20% ocorre em meninas com idades entre 10 e 19 anos, sendo que os estados das regiões Norte e Nordeste apresentam um índice superior à média nacional – a taxa é de quase 30% no Pará, por exemplo. Já as regiões Sul e Sudeste apresentam um percentual de partos na adolescência mais próximo à média brasileira. O único estado que destoa do restante do país é Santa Catarina, que registra apenas 5% dos partos em mulheres nessa faixa etária.

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