Estado de Alagoas possui mais de 6 mil cadastrados para doação de medula
25/04/2016 12:24 em Ciência e Saúde

Foto: Sandro Lima

Andreia Santos acompanha o filho de 8 anos no tratamento contra leucemia

Andreia Santos acompanha o filho de 8 anos no tratamento contra leucemia

Em Alagoas, conforme dados da Secretaria Estadual de Saúde (Sesau), 5.250 se cadastraram como doadores de medula óssea no ano passado, contra 575 em 2014. Até março deste ano, 996 pessoas já se cadastraram como doadores. Somados, números chegam a 6.821. Mas, segundo Rozenita Fernandes, presidente da Associação dos Pais e Amigos dos Leucêmicos (Apala), o problema está na compatibilidade para efetivar a doação ao receptor portador de leucemia e outras doenças do sangue.

“Nem todos os cadastrados são compatíveis. Todos sabem que a facilidade é maior quando o doador é da família, como pai, mãe, irmãos...”, lembrou. “As pessoas têm se sensibilizado mais e não resta dúvida disso, mas ser compatível é fundamental”, acrescentou.

A estatística mostra que a presidente da Apala não está enganada. Do número de doadores cadastrados em 2015, apenas duas doações foram realizadas no ano passado, nenhuma em 2014 e este ano, segundo o Hemocentro de Alagoas (Hemoal), três pessoas foram compatíveis, mas ainda passam por uma bateria de exames para saber se de fato estão aptas a doar a medula óssea. A chance de encontrar uma medula compatível é, em média, de uma em cem mil.

Por isso, são organizados Registros de Doadores Voluntários de Medula Óssea, cuja função é cadastrar pessoas dispostas a doar. Quando um paciente necessita de transplante e não possui um doador na família, esse cadastro é consultado. Se for encontrado um doador compatível, ele será convidado a fazer a doação.

Para o doador, a doação será apenas um incômodo passageiro. Para o doente, será a diferença entre a vida e a morte.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), estima-se mais de 10 mil novos casos de câncer de medula óssea este ano, sendo 5.540 homens e 4.530 mulheres.

COMO DOAR

Qualquer pessoa entre 18 e 55 anos com boa saúde (não ter doença infecciosa ou incapacitante) poderá doar medula óssea. Esta é retirada do interior de ossos da bacia, por meio de punções, e se recompõe em apenas 15 dias. É possível se cadastrar como doador voluntário de medula óssea nos hemocentros nos estados.

Os doadores preenchem um formulário com dados pessoais e é coletada uma amostra de sangue com 5ml para testes. Estes testes determinam as características genéticas que são necessárias para a compatibilidade entre o doador e o paciente.

Os dados pessoais e os resultados dos testes são armazenados em um sistema informatizado que realiza o cruzamento com dados dos pacientes que estão necessitando de um transplante.

Em caso de compatibilidade com um paciente, o doador é então chamado para exames complementares e para realizar a doação.

Tudo seria muito simples e fácil, se não fosse o problema da compatibilidade entre as células do doador e do receptor.

A doação de medula óssea é um gesto de solidariedade e de amor ao próximo. É muito importante que sejam mantidos atualizados os dados cadastrais para facilitar e agilizar a chamada do doador no momento exato. Para atualizar o cadastro, basta preencher um formulário.   

O Transplante de Medula Óssea é a única esperança de cura para muitos portadores de leucemias e outras doenças do sangue.

Portadores de leucemia enfrentam dificuldade de atendimento

A situação complicada considerada um caos quando o assunto é o tratamento de crianças, adolescentes e adultos com leucemia (doença maligna originada na medula óssea, local onde as células do sangue são produzidas) em Alagoas, fez a Apala tomar uma medida mais incisiva na última segunda-feira (18).

De acordo com Rozenita Fernandes, presidente da entidade, uma ação denunciando o descaso dos hospitais Santa Casa de Misericórdia de Maceió, do Açúcar e Universitário foi detalhada e ela anunciou que entrou com o processo na Defensoria Pública focando na questão da falta de condições destas unidades de saúde de garantir atendimento aos portadores de câncer no sangue no Estado.

“O direito do cidadão não está sendo respeitado, e por esta razão, estamos entrando com uma ação contra os hospitais e a Secretarias Estadual e Municipal de Saúde. A Santa Casa reduziu o número de leitos; o Açúcar não atende mais os adultos e falta até lençóis e medicamentos; e o Universitário só atende casos crônicos e os agudos são negados”, avisou.

Atualmente aguardam por transplante cinco crianças e um adulto. “Agradeço pelo diagnóstico destes pacientes não ser crônico e termos a oportunidade de salvar a vida da maioria deles, mas se fosse o contrário, lamentavelmente o quadro seria muito triste”, ressaltou.

Rozenita Fernandes explicou que casos de transplantes não são comuns e o paciente segue para a fila quando comumente não respondem ao tratamento convencional, com a quimioterapia e medicação.

ASSISTÊNCIA APALA

Mais de 600 crianças, adolescentes e adultos são atendidos na Apala, em sua maioria crianças com leucemia, doença que acomete mais o público infantil.

A mãe de Gabriel, Jeysse Daiane Batista, se diz esperançosa com o regresso da doença no filho de 4 anos. Ela contou que foi um choque para a família ao saber do diagnóstico, mas graças a precisão e a agilidade no atendimento seu filho está melhor. “Quem ver não diz que ele tem leucemia, é uma criança normal e ativa, faz a manutenção com a quimioterapia e graças a Deus o tratamento vem respondendo positivamente, mas confesso que temi o pior. O apoio da Apala foi importante, quando fizemos o exame que descobrimos no mesmo dia ele foi internado para já começar a ser tratado”, ressaltou.

Andreia Santos, mãe de Adriano, também tomou um susto, ela que é de Viçosa, acompanha o filho de 8 anos no tratamento de leucemia desde o ano passado. “O braço dele inchou e ficou roxo, pensávamos que era porque ele andava muito de cavalo e tinha quebrado o membro, levamos para o hospital e o médico disse que o ‘negócio’ era sério. Tive medo e logo ficamos sabendo do câncer no sangue. Começamos o tratamento em Maceió na mesma semana, minha vida mudou, meu marido perdeu o emprego, veio de Goiás para se internar junto com ele, enquanto eu ficava com minha filha de dez meses”, revelou.

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