Em meio à pandemia, número de endividados atinge mais de 212 mil em Maceió
04/04/2020 20:36 em Economia e Negócios

O número de endividados alcançou a marca de 212.590 consumidores em Maceió no mês de março deste ano. O aumento percentual foi de 1,9% em comparação com o mês anterior. Este é maior valor registrado nos últimos doze meses na capital alagoana. Desde novembro de 2019 que este número apresenta aumentos consecutivos. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) e foram divulgados pela Federação do Comércio do Estado de Alagoas (Fecomércio). Outro grupo de consumidores que apresentou crescimento elevado em Maceió foi o dos inadimplentes, que aumentou 25,9% em março deste ano, na comparação com o mês anterior. Em fevereiro eram 48.176 inadimplentes, em março este número saltou para 60.667 maceioenses, ou seja, 12.491 a mais na passagem de mês. 

O número de inadimplentes na capital alagoana também é o maior dos últimos doze meses. Desses 60 mil consumidores que estão em situação de inadimplência, apenas 8,8% informaram que terão condições de quitar integralmente a dívida no mês seguinte. Para 15,2% desses, o pagamento será parcial, deixando o saldo remanescente para outros meses, enquanto 61,4% afirmaram que não terão condições de rolar dívidas e realizar acordos com bancos e financeiras, aumentando ainda mais o montante a ser pago.

 

 De acordo com o assessor econômico da Fecomércio, Felippe Rocha, se em janeiro a alta do endividamento foi resultado da busca em quitar impostos, matrículas e outros motivos, o mês de fevereiro teve como pano de fundo as compras de carnaval. Porém, segundo ele, em março ocorreu um aumento generalizado do endividamento e da inadimplência, justamente pelo efeito Covid-19. "A redução da renda sem alguma forma imediata de compensação acabou criando como única solução o uso do cartão de crédito", explica.

VILÕES

O uso do cartão de crédito responde por 86,2% das dívidas dos maceioenses, segundo o economista. Um percentual alto e que representa o uso indiscriminado. "Quando falamos em formas de contrair dívidas, o cartão geralmente aparece em primeiro lugar, mas um percentual tão alto assim demonstra que não houve, por parte da maioria dos consumidores, planejamento no uso. Porém, isso é compreensível quando consideramos o momento pelo qual passamos. Com pouca circulação monetária, o crédito pré-aprovado dos cartões acabou como alternativa mais acessível", avalia Felippe Rocha. 

Os carnês de loja - famosos crediários - foram utilizados por 14,9% dos consumidores, enquanto 5,3% contraíram dívidas por outros meios. No geral, os consumidores passam, em média, por 5,9 meses endividados e comprometem 28% de suas rendas com a aquisição de bens e serviços financeiros no mercado. De acordo com a pesquisa, do universo de 98 mil consumidores com dívidas em atraso, 46,5% afirmaram que outro membro de sua residência também está atrasando suas contas pessoais. Já 53,5% disseram que, do grupo familiar, apenas eles(as) estão com dificuldade de pagar as contas em dia. Ainda sobre esse grupo, o tempo médio de atraso de suas contas já é de 75 dias.

NACIONAL

Em todo o País, o total de famílias com dívidas voltou a crescer em março, depois de um recuo em fevereiro (65,1%), atingindo 66,2%, maior taxa da série histórica iniciada em janeiro de 2010. O recorde havia sido registrado em dezembro do ano passado (65,2%). "O resultado extrapolou o percentual de dezembro e registrou o maior nível da série histórica", disse a economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Izis Ferreira. 

Ela avaliou que a pandemia de coronavírus vai contribuir para elevar o grau de endividamento das famílias nos próximos meses e, também, a inadimplência. A pesquisa foi feita com 18 mil famílias de todas as capitais do país, incluindo o Distrito Federal, no período de 20 de fevereiro e 5 de março. O aumento do endividamento vinha atrelado ao avanço do crédito, e isso podia ser observado pelo aumento no estoque do crédito para pessoas físicas e jurídicas, aumento nas concessões, redução do custo do crédito, facilitação nas condições. "Isso fez com que o nível de endividamento chegasse nessa maior proporção da série histórica", disse. As informações são da Agência Brasil.

* Sob supervisão da editoria de Economia.

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