Transferências federais aliviam crise na economia de Alagoas
07/11/2020 18:46 em POLÍTICA

Apesar das "choradeiras" do estado e municípios quando reclamam de queda na arrecadação no período do isolamento social [março a junho], ao contabilizar as transferências federais e ajuda emergencial se observa a economia e arrecadação tributária estáveis. Em abril, o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu o pagamento das parcelas da dívida estadual durante a pandemia, o que permitiu o Tesouro Estadual economizar mais de R$ 200 milhões. Logo depois, o Congresso aprovou o pacote de ajuda de R$ 60 bilhões para estados e municípios. 

 

Alagoas recebeu R$ 880 milhões, divididos em R$ 550 milhões para o Estado e R$ 330 milhões para municípios, revela o doutor em Economia da Ufal, Cícero Péricles, confirmam secretários estadual e municipais de Fazenda. Na transferência direta, o destaque ficou com o Auxílio Emergencial que, de abril a agosto, pagou R$3,7 bilhões à 1,2 milhão de alagoanos. Segundo o professor Péricles, os recursos movimentaram a economia, principalmente o consumo, geraram receita para as prefeituras e Estado. 

"É importante lembrar que a previdência social continuou pagando as pensões e aposentadorias a 530 mil alagoanos, no valor mensal de R$ 700 milhões, antecipando a parcela de dezembro para os meses de abril e maio. Sem essa renda, a crise teria se instalado, efetivamente em Alagoas". Com relação às transferências federais, o secretário de estado da Fazenda, George Santoro, reconheceu que "sem dúvida a ajuda federal foi muito importante. Nosso país adotou estratégia semelhante à da maioria dos países e até agora foi vencedora". 

No balanço que fez de 2020, considerou como "ano muito difícil por causa da pandemia. Mas, fundamental para demonstrar a importância de ter uma saúde fiscal para poder fazer investimentos nas áreas que as pessoas mais precisam".

INICIATIVA PRIVADA

Os setores mais importantes da economia alagoana tiveram desempenhos diferenciados, disse o economista ao acrescentar que a agricultura e a pecuária foram privilegiadas. "Primeiro pelas estruturas de produção distantes das cidades, das aglomerações; e pela comercialização, já que produz para as agroindústrias ou para as feiras, mercadinhos ou outros canais de comercialização, que se mantiveram funcionando; segundo pelo bom período de chuvas, ao longo de todo o ano, que garantiu excelente safra este ano, aliada aos bons preços agrícolas". 

A indústria não teve a produção interrompida. Foi prejudicada pela redução de demanda e pela logística de abastecimento de matéria-prima ou de escoamento. A indústria da construção civil foi outro setor, que, segundo Cícero Péricles, atravessou bem o período do isolamento social, porque as atividades foram liberadas e o segmento da autoconstrução popular foi beneficiado pela renda social do Auxílio Emergencial. Estes setores - a indústria e a agropecuária - representam um terço da economia estadual. 

O setor sucroalcooleiro, não apresentou problemas porque a entressafra, que paralisa suas atividades industriais, coincidiu com os meses fortes da pandemia, de março a agosto, lembrou Cícero Péricles ao destacar que a safra 2020/2021 reiniciou em setembro.

MAIS DE 3 MIL EMPRESAS FECHADAS

De janeiro a setembro, 3.128 empresas encerraram suas aberturas. A maioria não resistiu os efeitos do coronavírus na economia. Este é um dos resultados apontados pela Federação do Comércio. O fechamento dos segmentos comerciais e de serviços não essenciais, resultou o prejuízo de R$ 1,5 bilhão na arrecadação do estado, somente no mês de abril. Por outro lado, foram abertas 11.345 empresas. No período houve um saldo positivo de 8.217 empresas no resultado entre as que abriram e fecharam. O que os números escondem é que a maioria dos negócios abertos é de microempreendedores individuais: 9.314 são MEI, afirmou Felippe Rocha, assessor econômico da Fecomércio/AL. 

O impacto entre abril a julho, período de isolamento social, foram 18.819 postos de trabalho perdidos, o que explica, em parte, o crescimento de MEI. Na comparação anual, entre janeiro a agosto, a queda do setor de Comércio é de 7,2% e, no de Serviços foi mais expressiva, chegando a 19,6%.

Felipe Rocha explicou que nos meses de julho e de agosto apontam crescimento para o setor de Comércio na variação mensal do mês imediatamente anterior e contra o mesmo mês do ano passado, demonstrando crescimento real para esses meses. "O setor de Serviços ainda não consegue sair do lugar, mas vem demonstrando fadiga desde 2015". Para este final de ano, o Comércio apresenta aquecimento das vendas e o retorno da oferta de empregos. A semana do Brasil, a Black Friday e o Natal prometem impulsionar o final do ano.

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